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Brandos Costumes


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Este espaço é uma coluna semanal de opinião da exclusiva responsabilidade da RCM


Brandos Costumes

Os últimos dias têm sido, infelizmente, férteis em notícias sobre atropelamentos nas passadeiras. O nosso país continua, também infelizmente, a ser um terceiro-mundista no que toca ao civismo na estrada. Aquele velho dizer “o meu é maior que o teu” continua a prevalecer e, outra vez infelizmente, não parece haver reforma na Lei que o impeça.
Depois de um 2006 em que os nossos governantes saíram à rua para dizer que a sinistralidade baixou ainda não se ouviu nenhum vir agora tentar explicar o porquê dessa mesma sinistralidade estar a aumentar este ano, talvez porque agora a Lei em vigor é a mesma que no ano passado serviu para explicar a descida no número de vítimas mortais.
É difícil aceitar ou conseguir imaginar qual será a explicação plausível, se é que existe, para o atropelamento que aconteceu em Lisboa junto ao Cais do Sodré, não menos difícil em relação ao atropelamento de Tires; a única relação é o facto de num caso e noutro as vítimas se encontrarem em locais de protecção para peões.
Mas sinceramente mais arrepiante, porque sai da esfera da nossa má educação na condução, é a notícia de mais uma vítima mortal de um acidente com um quadriciclo – nome pomposo dado a um pequeno carro, embora a Lei não o considere como tal, e que tem a pequena nuance de funcionar como um motociclo para a qual nem é preciso ter carta de condução. Aconteceu em Albufeira, Algarve, mas podia ter sido noutro sítio qualquer.
Até hoje nunca ouvi um governante vir explicar como é que é possível, por causa de um “buraco” na Lei – que já o deixou de ser visto que toda a gente fecha os olhos – que alguém possa sem nunca ter tirado a carta de condução andar na estrada, num veículo que não é considerado carro mas que tem quatro rodas, faróis, pára-brisas, auto-rádio e por aí fora, e pior que isso, que mata como qualquer automóvel e que deixa morrer já que as normas de segurança em vigor para os carros não são aplicadas a estes quadriciclos.
Fazem-se estudos para colocar autocolantes nos vidros dos maus condutores, mas ninguém tem coragem de retirar também estes factores de risco das estradas, ou alguém julga que os condutores de quadriciclos também vão ser abrangidos pelos autocolantes? Pelo que se sabe só mesmo para quem tem carta de condução.
Enquanto se permite que mulheres e homens sem condições de saúde percam o seu direito à dignidade e a uma reforma antecipada por invalidez perante o crivo de uma tal de Caixa Geral de Aposentações custa a perceber a inoperância do Estado, não na falta de civismo de muitos condutores, mas antes ao permitir que o risco aumente desta forma.

P.S. Durante cerca de um mês e meio esta página esteve praticamente parada devido a alguns ajustes que foram necessários. Fica mais uma vez o pedido de desculpas, a RCM está a estudar uma nova página, mais actual em termos de programação que esperamos venha a colmatar as falhas da actual em definitivo.

Hélder Franco

OPINIÃO

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